Casa dos Bonecos Gigantes de Olinda

Um os mais visitados museus de Olinda, com imagens de Lu Paternostro.

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A Casas dos Bonecos Gigantes é a morada dos tradicionais bonecos olindenses, aqueles enormes, que saem pelas ruas da cidade, durante o Carnaval. O “Homem da Meia-Noite”, o mais famoso e conhecido,, abre, oficialmente, o evento na cidade. São peças enormes, com cerca de três metros e meio de altura, que retratam personagens famosos, bem como de nosso imaginário cultural.

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Adesivo das janelas.

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Ilustração Sírios Libaneses e a Dança Dabke. Série Imigrantes Brasileiros.

Uma dança folclórica da Palestina, Líbano e Síria. Dabke significa “sapateado”. Podem participar de 6 a 15 dançarinos e dançarinas.

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Ilustração “Sírios Libaneses e a Dança Dabke”, da série “Imigrantes Brasileiros.
Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.
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A Dança Dabke

O povo Sírio e o Libanês, são cheios de histórias muito antigas, tradições e a religião presente na sua vida, na sua arte, música. Inseriram várias palavras em nosso vocabulário, e nos influenciou com sua rica gastronomia típica, que agora pode-se dizer “brasileira”, como a esfirra, o quibe, a qualhada, o labne (qualhada seca), o homus (pasta de grão de bico) e tantas outras que já se incorporaram na nossa cozinha e gosto. E sabem ser mestres na arte do comércio, trazendo toda sua tradição secular e cultural de comerciantes para nossas cidades, principalmente a cidade de São Paulo, na rua 25 de março e bairros como Bom Retiro e Brás, dentre outros. 

Na dança, a mais conhecida para nós, é a dança do ventre, porém, seguindo a linha de trazer temas mais tradicionais das culturas, procurei uma dança mais típica e histórica, escolhendo a representação folclórica da dança Dabke.



Para os árabes, a dança é uma importante expressão artística e a Dabke é uma das mais representativas, é dançada na época da primavera, estação das chuvas, ou em casamentos na época das  colheitas.

Dabke significa “sapateado”. Podem participar de 6 a 15 dançarinos e dançarinas.

Representa, de forma geral, o ato de amassar o barro: acredita-se que possa ter originado da necessidade de se consertar as casas que, antigamente, eram feitas de pedra e lama, com seus tetos de madeira, palha e lama. Com o passar do tempo, a camada de palha e lama se quebrava e, para não infiltrar a água da chuva dentro das casas, estas eram reparadas com lama molhada.

Para fazê-la o povo se unia e ia umedecendo a lama e pisoteando-a, um trabalho que exigia a presença de muita gente da comunidade e levava muito tempo. Os vizinhos se ajudavam: se alinhavam, agarravam as mãos e avançavam um passo e pisoteavam, depois dava um passo à direita e pisoteavam novamente. Isso foi dando início a uma coreografia.

Durante esse processo, cantavam poesias e dançavam ao ritmo delas, dando um passo à frente, um pisoteio e um passo à direita e outro pisoteio. Com tempo o ato começou a se enraizar e começaram a chegar os instrumentos, dando origem à dança e à música do dabke.



Por ser de origem campesina, não se usam muitas cores, e sim trajes mais simples. Porém, nas danças apresentadas por grupos para folclóricos, feitas para apresentações em palco, normalmente as vestimentas são mais enfeitadas, coloridas e até, um pouco, descaracterizadas. Mas isso é parte da apresentação.  

Em minhas ilustrações,  gosto de usar as cores vivas. Aqui, respeitando as vestimentas mais sóbrias em sua origem, ao fundo, resolvi explodir os tons laranjas vivos e quentes, deixando as figuras mais suaves em destaque.

O Narguilé

Em primeiro plano, por ser um objeto bem detalhado e, em algumas versões, bastante coloridos e enfeitados, coloquei a imagem de um narguilé, um cachimbo de água, utilizado para fumar tabaco aromatizado, dentre outros tipos de fumo.

Seu nome é de origem persa e é utilizado em muitos países do mundo, em especial no Norte da África, Oriente Médio e Sul da Ásia. Têm-se espalhado, recentemente, para a Europa e Américas.


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Por Lu Paternostro

NOTA LEGAL: Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização expressa dos autores.

Ilustração Africanos Sudaneses e a Dança dos Orixás. Série Imigrantes Brasileiros.

Os Sudaneses, não estamos falando dos habitantes do país Sudão, mas o povo de uma grande região da África, a costa central-ocidental, são considerados uma nação, um grupo étnico cultural, ou seja, falavam quase a mesma língua, possuem os mesmos hábitos e religiões semelhantes. Foram eles que trouxeram para o Brasil, o candomblé.

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Ilustração “Africanos Sudaneses e a Dança dos Orixás”, da série “Imigrantes Brasileiros.
Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.
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Junto com os Bantos, que foram os primeiros a chegar aqui, formam os dois maiores grupos de escravizados que vieram para o Brasil. Com o tempo vieram negros de outras regiões, mas estes foram os que mais influenciaram nossa cultura.   

Ambas as culturas, Bantos e Sudaneses, acreditavam em várias entidades, como os orixás (para os Bantos, os inquices). Acima deles, estava o Deus supremo, a entidade suprema que tudo cria. Para os Sudaneses essa entidade máxima chama-se Olorum e para os Bantos, caham-se Zambi. Mesma realidade com nomes diferentes.

Os Sudaneses trouxeram para o Brazil o Candomblé.

Candon significa tambor. Candongueiro é o escravo que tocava o tambor na língua iorubá, dos Sudaneses. O Candongueiro era, também, uma espécie de “dedo-duro”: quando os escravos estavam trabalhando numa lavoura, por exemplo, o candongueiro, percebendo o feitor distraído, tocava o tambor num ritmo específico que os escravos já entendiam que eles poderiam fugir. E se a fuga fosse descoberta, o candongueiro mudava o ritmo e os escravos se continham, pois eles haviam sido descobertos.


Galeria (loja)


O Candomblé não tem um livro sagrado, mas narrativas, ou itãs.

Na narrativa de um Itan, a criação do mundo é mais ou menos assim: Não havia separação entre os deuses ou o Deus supremo, Olorun, e os homens, nem entre o céu e a terra. Um dia, um homem tocou o Orun, que é o céu, com as mãos sujas. Olorum (Deus supremo) ficou indignado e soprou forte, e com esse sopro, ele separou o céu (Orun) da Terra (Aiyê).

No Orun, no céu, nós temos o panteão, onde habitam os orixás, entidades divinas que nunca tiveram existência na terra, criados por Olorum, e os eguns, homens que tiveram existência na terra e que são os nossos antepassados.

A união entre os dois espaços, o céu, Orun e a Terra, Aiyê, acontece dentro do culto ou no terreiro de Candomblé. No Brasil temos 12 divindades mais populares, e, no terreio, eles ficam no panteão dos orixás, no centro, onde os vemos dançando, incorporados nos médiuns.

Cada um tem um nome, símbolos que o representam, suas personalidades forças e poderes, suas cores, colares de contas com combinação de cores especificas, dias da semana e, no sincretismo, os santos católicos que os representam, dentre outras características. Cada um tem um tipo de oferenda e de música.

As oferendas, dadas aos orixás, específicas para cada orixás, é uma forma da pessoa se realinhar com eles, com o céu, com a Terra, a Orun. É o dar e receber.

Embora seja uma religião monoteísta, os Orixás, que estão diretamente ligados a Olorun como emissários, entidades espirituais representantes do Deus supremo, tem seu espaço dentro da criação e se conectam mais fortemente aos anseios dos homens e mulheres devotos, recebendo mais destaque. Olorun acaba ficando oculto, abstrato, e até esquecido, mas é super respeitado no mais íntimo de cada homem. Olorun, o Deus supremo, encarregou um Orixá, Oxalá, da criação dos homens, do mundo.

No Candomblé, temos 3 forças essenciais: o Iva, ou a criação, o Axé, que faz a criação desabrochar e Obá que dá um destino, um rumo certo para a criação.

Como gosto de desenhar as danças tradicionais dos povos, resolvi representar a Danças dos Orixás, na verdade um pequeno momento do que é o ritual e seu movimento.

Minha vontade aqui foi de criar um desenho muito colorido, com tons bem característicos do Brasil, com cores fortes, vivas e quentes.

Os orixás são muito detalhados em suas vestimentas e isso dá uma boa chance de os brindarmos com formas ricas, profusas, muitas cores e movimento!

No desenho, o tocador de tambor é uma figura que simboliza o ritmo do Candomblé.

Na composição resolvi usar dois orixás, pois queria mais destaques de detalhes a eles. A escolha foi baseada nas suas cores predominantes, suas formas.

No primeiro plano está Oxum, a Deusa das águas doces, dos rios, das fontes, dos lagos. A deusa do ouro, da fecundidade, do jogo de búzios e do amor. Leva um espelho em suas mãos. Maternal, tranquila, quieta. Cuida, flui. Sua cor, o amarelo ouro, intercalado aqui com as minhas cores quentes. No sincretismo católico, é representada por  Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora das Candeias.

Mais atrás, com a predominância dos verdes, Oxóssi, deus da caça, é o patrono do Candomblé Brasileiro. Seu elemento são as florestas. Usa um pequeno arco associado a uma flecha em suas mãos.



No sincretismo católico, São Jerônimo, Santo Antônio, São Pedro, São João Batista, São José e São Francisco de Assis.

Oxalá está presente como símbolos. Oxalá é o criador do homem, o Deus da Criação, e pode ser representado como jovem ou velho. Seu elemento é o ar. Seu símbolo, aqui posicionado no centro da imagem, é Oparoxó (cajado de alumínio com adornos). No sincretismo católico, tem sua representação em Jesus Cristo. A pomba, que também o representa, é uma de suas oferendas.

Para alinhar com todos e sua profusão de cores, instrumentos musicais flutuam no fundo da imagem.  Um universo de ritmos, sabores, cores, emoção e fé.

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Lu Paternostro

NOTA LEGAL: Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização expressa dos autores.

Ilustração Africanos Bantus e o Jongo. Série Imigrantes Brasileiros.

A África é chamada de “O Continente Negro”, onde se acredita que se deu a origem da raça humana. Um espaço geográfico de culturas, etnias e línguas muito variadas, nunca sendo caracterizada por uma cultura homogênea, em termos humanos ou culturais. 

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Ilustração “Africanos Batus e o Jongo”, da série “Imigrantes Brasileiros.
Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.
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Aganju, Xangô
Alapalá, Alapalá, Alapalá
Xangô, Aganju

O filho perguntou pro pai:
“Onde é que tá o meu avô
O meu avô, onde é que tá?”

O pai perguntou pro avô:
“Onde é que tá meu bisavô
Meu bisavô, onde é que tá?”

Avô perguntou bisavô:
“Onde é que tá tataravô
Tataravô, onde é que tá?”

Tataravô, bisavô, avô
Pai Xangô, Aganju
Viva egum, babá Alapalá!

Aganju, Xangô
Alapalá, Alapalá, Alapalá
Xangô, Aganju

Alapalá, egum, espírito elevado ao céu
Machado alado, asas do anjo Aganju
Alapalá, egum, espírito elevado ao céu
Machado astral, ancestral do metal
Do ferro natural
Do corpo preservado
Embalsamado em bálsamo sagrado
Corpo eterno e nobre de um rei nagô
Xangô

Babá Alapalá.
Gilberto Gil

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Africanos Bantus e o Jongo

Num passado não tão remoto, comparado com a história da África, alguns povos vindos de Angola, do Congo, de Moçambique, da Nigéria e de outras partes do Continente Negro, atravessaram o Atlântico e foram parar no Brasil. A maior parte dos negros escravizados que vieram trazidos para o Brasil eram de etnias bantas (Congo, Benguela, Cabinda, Angola, Angico etc.), sendo os primeiros que chegaram, vindos a costa ocidental africana.

Entre as etnias africanas, existem nuances, ficando muito difícil falar sobre elas, ainda de uma forma específica! Mas, o que é objetivo, é que estes povos trouxeram para o Brasil  grande parte da riqueza cultural que hoje temos aqui – Muito do nosso vocabulário atual tem origem banta, de nossa gastronomia, frutas, vegetais, cultura e muitas coisas mais!

No campo da música, os bantos forneceram grande parte do ritmo que caracteriza a música brasileira. O gosto dos bantos pelos batuques, atabaques e instrumentos de percussão se refletiu em gêneros musicais como o samba, a bossa nova, o coco, o maracatu, o pagode, etc

Por conta disso, quis representar uma dança, que aqui se torna, não uma dança específica, mas uma síntese simplória, por assim dizer, do movimento relacionado às danças e rituais religiosos.


Pesquisei sobe o tema das danças dos bantus, mas quase nada de específico achei disponível sobre o tema. Embora temos muitas imagens, não há identificação de ondem são ou o que representam. Parece tudo muito misturado, confuso de se entender, também, porque os africanos e sua cultura original não são nada padronizados.     

O que posso tirar, é que as tribos têm sua religiosidade misturada com sua vida diária, e a dança se confunde com a vida, que é a luta da vida, que se une com os rituais religiosos.

Na pesquisa que fiz, optei por esta dança que foi filmada no meio de uma comunidade, por parecer ser mais genuína, pé na terra, sem as “fantasias” típicas dos grupos para folclóricos*.   

Mesmo assim, recriei as suas roupas, inserindo uma enorme quantidade de elementos e cores. Desta forma quis representar a riqueza e a diversidade  desse povo, de sua vida, cultura e de sua gente e saberes.  

O que mais chama a atenção nas danças africanas, de forma geral, são os inúmeros movimentos rítmicos, quase que semelhantes e um estado de transe, transformando os corpos em ondas de movimentos quase inconcebíveis!

Procurei representar um pouco disso no movimento dos traços, no ritmo de formas que se repetem, nas texturas, nos detalhes que adquirem muitas cores, criando uma nova paleta, uma forma de agradecer a eles a riqueza que me deram.

Também a forma que encontrei de “dançar” um pouco com eles.



O Jongo

O Jongo, ou Caxambu, é um ritmo que teve suas origens na região do Congo-Angola. É uma dança profana para o divertimento, mas uma atitude religiosa permeia a festa.

Antigamente, somente os mais velhos podiam participar, ficando os mais jovens apenas observando. Também é a dança dos ancestrais, dos pretos-velhos escravos e dos cativeiros.

* Os grupos para folclóricos são utilizados para nos contar mais de nossa cultura tradicional ou típica, mas de uma forma mais colorida, os detalhes mais ressaltados, feitos pensando em apresentações em palcos. São como shows, mas com tema cultural.

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Lu Paternostro

NOTA LEGAL: Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização expressa dos autores.