Mundo-Novartis do Bem e do Mal

Criação de um fluxograma divertido, criativo, da série Mundos Intrincados, para a comunicação do departamento de publicidade da Novartis. Uma ótima forma de chamar a atenção para uma comunicação importante, que podia tornar-se conflituosa, mas que se torna harmoniosa, quando utilizamos a arte!

Onde tudo começou: O fluxograma que se torna Mundos

“Lu, vimos seu trabalho dos Mundos Intrincados e pensamos em criar um mundo desses para nosso departamento! Vamos conversar?”, me ligou uma pessoa sorridente e simpática, num dia de muita produção e agitação!

“Nossa, que legal! Claro!”, disse eu, pois adoro essas novidades cheias de criatividade!

E pude conhecer uma ideia mais que genial, como uma solução para a comunicação entre o departamento de publicidade e as gerências de produtos da Novartis.
“Vamos explicar como podemos melhor organizar as demandas dos gerentes de produtos, pelos materiais de comunicação e marketing, apresentando o fluxo de pedidos numa obra que chamaremos o “Mundo-Novartis do Bem e do Mal”.  

O que eu não imaginava, é que tudo isso viria, nada mais, nada menos, do que de um fluxograma, muito bem feito e pensado pela moçada do departamento, estruturado em “mundos” de fluxos, baseados nas minhas obras da série Mundos Intrincados.

A série Mundos Intrincados se resume no seguinte: Texturas que contam histórias, histórias que contam desenhos! Como um fluxograma é cheio de informações, cada uma delas se tornaria novos mundos, cheios de personagens e histórias pertencentes, aqui no caso, aos dois maiores mundos ou caminhos que existiam, referindo-se ao resultado dos gerentes com o departamento: o do Bem e o do Mal.

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Processo do desenho.

O desenho originário de toda essa ideia, seria adesivado numa parede do departamento. Porém, o que eles não tinham observado, é que o fluxograma que haviam criado era praticamente quadrado, com predominância para o vertical e a tal parede, totalmente horizontal.

“Imaginamos algo por aí…”

“O que pensamos seria algo assim…”, e me apresentaram inúmeras imagens, feitas com os tais doodles.

Os doodles são esboços de figurinhas conhecidas, normalmente com aquele aspecto de “feito à mão”, à caneta ou lápis, em linhas pretas sobre branco, onde se preenche o espaço pictórico de forma, normalmente, aleatória. Ou são pequenas vinhetas como os doodles do Google ou aquelas figurinhas divertidas do RedBull, por exemplo.
Usam-se os doodles para vários tipos de comunicação, por ser jovem, descontraído e divertido!

No caso dos Mundos Intrincados, as imagens têm uma semelhança com os doodles, mas a configuração da obra é totalmente outra, pois ela tem uma composição final, que chamo de “a grande forma”, onde tudo acontece.  

Outro diferencial é que tenho um traço e temas próprios do meu universo, nada semelhante aos temas recorrentes nos doodles.

Você pode observar esses detalhes, exercitando o que chamo de Slow Art ou seja, deixar-se levar, durante um tempo, a olhar uma obra de arte nos seus detalhes. Ir descobrindo as intenções do artista, perceber nuances de traços e expressões. No caso dos Mundos Intrincados, você pode descobrir situações e personagens escondidos, como um “voyeur”.

Uma mudança de parâmetro: Janelas e portas como espaços-arte

Claro que a vontade cheia de energia e vivacidade dos jovens criativos, era colocar a obra finalizada em portas, janelas, objetos, etc. Paramos somente na parede do departamento, por conta do custo!

Mesmo assim, me passaram as medidas de todos esses espaços e não medi esforços para fazer simulações diversas. Acho um charme adesivar as paredes com imagens que geram impacto visual, em ambientes diversos, e que podem se tornar instagramáveis, ou seja, você faz um belo self com ela e posta no seu instagram!

Embora a arte tenha ficado restrita a uma parede, a ideia e a vontade de espalhar as figuras por toda a empresa permaneceram vivas!

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O fluxograma transmutando. Construindo os Mundos Intrincados da Novartis

Essa etapa do trabalho foi uma das mais difíceis, onde quebrei a cabeça e o fluxograma para conseguir ajustar tudo num desenho possível, que se adequasse ao espaço que tínhamos definido.

Desmontei e remontei tudo num novo formato, colocando imagens de pequenos mundos dentro dele, recompondo-o.  Pude parar com mais calma e ler o que o pessoal colocou nesse fluxo de informação. E fiquei mais e mais empolgada! Pensaram como os Mundos Intrincados, mesmo!

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A macro-forma, onde tudo vai acontecer dentro dos Mundos Intrincados, seria um tipo de mapa mundi. O desafio maior foi recriar tudo e transformar as informações em desenhos, para se tornar uma obra. 

Daí começa uma outra nova jornada e a mais demorada: desenhar. Quase um mês para, finalmente, a obra ficar pronta!

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Uma nova dimensão: A cor. Entra em cena os protagonistas da ação!

Depois de feito o desenho original, a próxima etapa é a digitalização da imagem, feita num scanner de alta resolução. Agora, com a obra no computador, é preciso definir as áreas que vão levar cores, destacando os protagonistas da grande ação.

Sugeri que não fizéssemos toda a imagem colorida para não pesar ou cansar num ambiente de vivência diária. Queria dar um tom bem original e diferente para a nova peça, além de mais “espaço” para um novo “diálogo”, agora acontecendo, não entre as personagens, mas sim entre outras dimensões: o preto, as cores e o branco do fundo.

Momento Slow Art. Hora de curtir os detalhes do novo Mundo Novartis do Bem e do Mal!

Tudo feito, aplicado no local, hora de curtir um ambiente criativo, novo e energético.

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Alguns detalhes da obra toda.

Nossos ambientes precisam de vibração e alegria e as paredes podem se tornar espaços pictográficos para isso! Nosso cérebro sente essa vibração. Por isso é tão importante colocarmos mais arte no ambiente de nosso trabalho ou residência!

Nos Mundos Intrincados, as coisas precisam de calma.

Como temos muita coisa para ver num único lugar, ou paramos um pouco nosso tempo para entrarmos nas formas, ou deixamos que as personagens e as situações apareçam aos poucos, conforme olhamos para elas, em nosso dia a dia, de formas e sentimentos variados.

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Obra finalizada com áreas de cor. Mundo do Bem e do mal da Novartis, por Lu Paternostro.

Após a obra feita e colocada no local, novas situações acontecem como a integração com as pessoas que entrem, pela primeira vez, e se sentem impactadas.

Essa reação, essa viração é o propósito de espalharmos a arte pelos espaços, para mais perto das pessoas.

Por Lu Paternostro

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The Guest World InterContinenal by Lu Paternostro

Original: Desenho, nanquim sobre papel. Sala VIP do hotel.
Painel permanente: Galeria das Artes do hotel.

“Vamos desenhar o mundo maravilhoso do hóspede do InterContinental?”, disse eu à Joice, comercial do hotel na época, e uma pessoa que ama novas ideias! Imediatamente passou a proposta para frente, que foi aprovada.
Desta forma, comecei uma verdadeira jornada de pesquisa, não na web, mas no hotel, para descobrir o que o hotel tem de bom para o hóspede. E olha, tem coisa boa, viu?

The Guest World Intercontinental by Lu Paternostro

O objetivo aqui era desenhar um grande mundo, cheio de figuras, personagens e as histórias que vivem os hóspedes do Hotel InterContinental São Paulo.

Para começar, e mesmo morando em São Paulo, combinamos que eu iria passar um fim de semana hospedada no hotel.

Time Lapse da obra The Guest World InterContinental, por Lu Paternostro.

Antes, porém, elaborei uma série de perguntas para eu responder e para os funcionários responderem e um checklist para eu observar durante minha estada.

No hotel, durante o fim de semana, momento de viver uma vida de hóspede, experimentei o restaurante, o bar, o café da manhã, a deliciosa cama de meu apartamento, e os fofos e profusos travesseiros, ao mesmo tempo que andava pelo hotel pra lá e pra cá, conversando com a equipe,

Como todos os hotéis, os colaboradores são muito reservados, e por isso, nessa etapa, é importante a interferência de uma pessoa do hotel, explicando o porquê de tantas perguntas e o que eu estava fazendo por lá. Como são muitos funcionários e às vezes essa informação não chegou a alguns deles, senti uma certa dificuldade com alguns colaboradores de abrirem suas “histórias curiosas”. Natural. Não deixava de ser uma estranha perguntando coisas estranhas. Quando percebia isso, me apresentava e tudo ia um pouco melhor.

Troquei ideias com o concierge, os garçons, as camareiras, os seguranças, o mensageiro, o chef de cozinha, o barman, a recepção.  

Trocar ideia com estas pessoas, foi um dos momentos mais legais de minha estada lá. Me contaram muitas coisas interessantes sobre os hóspedes, de curiosidades a coisas inusitadas e, até alguns episódios de fantasmas, típico da imaginação profícua da gente criativa. Alguns abriram seus sonhos que, em minha cabeça, viravam verdadeiras histórias com roteiros completos!

Eles foram as peças fundamentais dessa jornada e inspiraram a criação de meus desenhos, criados com muito prazer.

Entendo que tudo faz parte de mundos que se intrincam, se inter-relacionam e se transformam nesse inter-relacionamento. A grande obra acontece no todo!

A Macro-Forma: onde tudo começa.

A macro-forma, na série Mundos Intrincados, texturas que contam histórias, histórias que contam desenhos, é de onde tudo parte, tudo começa.  

A marcro-forma é aquela que você vê de longe e que se quiser, fica só nela, como um grande desenho abstrato, pronto, e vai embora. As histórias, o motivo de existir da obra, passam ilesas e despercebidas. Você fica tranquilo e pode dormir em paz. Acabou.

Mas, tem aqueles que são curiosos, querem ir um pouco mais fundo nessa história toda, sentem-se perturbados, mas enfrentam porque descobrem que, por trás dessa imagem abstrata, um mundo caótico, energético e cheio de movimento, acontece.  

Eram centenas de mundos de histórias que se forma e preenchem o papel. Coisas que vou sentindo, pensando, lembrando, tudo vai acontecendo nesse grande espaço.

Foi um mês ininterrupto de trabalho, documentado passo a passo, que compilei num vídeo em time lapse.  A obra original foi emoldurada e doada ao hotel.

Mas o foco maior seria a sala principal da área de eventos, onde reproduzimos a obra num imenso painel de 3 x 2,5m. As pessoas se sentavam por lá, ficavam indiferentes em seus celulares e mundos, mas alguns ficavam sentados “lendo” as situações desenhadas. Tudo havia existido, umas de forma mais fantásticas, outras, de verdade, quase reais.

Depois de feito, do desenho original. retirei as principais composições e montei uma galeria de 100 peças para serem utilizadas pelo pessoal do marketing do hotel. Foram utilizadas para a produção de inúmeros brindes diferentes e bem exclusivos.

Hoje as pessoas costumam tirar fotos dele e com ele, pois trata-se de um desenho bem diferente e curioso. onde se pode sentar no sofá à frente dele e ficar contemplando os mundos dos hóspedes do InterContinental São Paulo.

Por Lu Paternostro


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