Riquíssima em suas vestimentas típicas, unidas aos movimentos que desenham o espaço visual com seus leques abertos, escolhi esta dança para representar o tema dos coreanos, primeiro por ser tradicional e segundo, por ser hiper colorida. Sabia que poderia colorir tudo ainda mais.

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Ilustração “Coreanos e a Dança dos Leques”, da série “Imigrantes Brasileiros.
Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.
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A ilustração digital me permite usar todas as gamas de cores possível, principalmente quando pode ser vista na tela de um celular, computador, tablet. Não temos a limitação das misturas de pigmentos, dos suportes que alteram as tintas ou mesmo influência da secagem, que também pode alterar algumas cores, em algumas técnicas de pintura.

No universo do digital, trabalho nuances que, muitas vezes, não podem ser traduzidos numa imagem impressa, mesmo que tenha toda a precisão possível, e cuidado, no processo de impressão. A tradução do meio digital (RGB, as 3 cores básicas que compõe a luz branca, considerando-se a resolução em tela) para o meio impresso (ou a tradução em CMYK, as 4 cores básicas da impressão off set, por exemplo) já impõe limites nos nuances das representações das cores. Mas jamais desconsidero a pintura, ou a aquarela, ou outra técnica como a gravura, e tantas outras, com todas as suas possibilidades pictóricas, pois também adoro explorar outros meios. Todos os meios, nas suas possibilidades e limitações, são válidos e acabam dando outras formas à uma criação. Um outro universo acontece quando trabalho no meu atelier. Mas isso vamos falar num outro momento.



Quando trabalho com a arte digital, ou melhor, com ilustração digital e as possibilidades de aplicação desta ao design, como objetos, roupas, e tantos tipos de suportes, gosto de explorar ao máximo das cores. Ao máximo mesmo!

Quando pesquisava sobre os temas para representar os coreanos, foi difícil escolher um, e me deparei com a dança dos leques, vi que seria uma ótima oportunidade de explodir as cores! Os leques e as roupas das bailarinas eram a minha oportunidade.

Então, na composição, preferi dar destaque para as dançarinas, porque assim podia explorar seus movimentos e detalhes de seus leques e roupas, embora o auge de uma apresentação da dança dos leques, seja a grande forma composta por todas as bailarinas juntas ou a coordenação de seus movimentos.

Para diferenciar cada ilustração dessa série, escolhi fundos homogêneos, de cores, preferencialmente, mas não obrigatoriamente, com algum tom complementar.

Quando vi a predominância do carmim nas imagens que fui pesquisando, não me saia da mente a vontade de fazer este azul, mas era este azul, não outro. Demorei um pouco para afiná-lo.

Mesmo sabendo que a imagem fina impressa, seria pequena, não hesitei em caprichar nos detalhes. Simplesmente descobri que preciso fazer os detalhes, por uma necessidade! Adoro que descubram os detalhes que faço!

Pois bem, e como é a dança dos leques? 



A Dança dos Leques

Trata-se de uma dança tradicional coreana, mas considerada nova, pois sua primeira apresentação aconteceu em 1954, tornando-se muito apreciada por seu povo, principalmente os sul-coreanos.

É executada por mulheres, vestidas de roupas tradicionais coreanas, as hanbok, ou com representações de vestimentas orientais, sempre muito coloridas.

Dançam em grupos, e vão executando coreografias com os leques, unindo-se, vão gerando formas tipo mandalas, espirais, ondas, sempre com movimentos suaves, femininos, coordenados, com seus leques que vão fazendo diversos desenhos no espaço. Quando os leques possuem cores diferentes em cada face, o efeito destes junto com a dança, é muito bacana.

Pesquisando as hanbok, ou “roupa coreana”, fiquei boba de ver a combinação de cores, dos tecidos, das texturas que as compõe. Confesso que criei as roupas baseadas em imagens, mas o que mais me inspirou foram as cores e os detalhes. Criei meu próprio figurino e detalhes.

As dançarinas e os leques são uma coisa só.    

Vale a pena ver, conhecer e se inspirar!


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Por Lu Paternostro

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