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Pinturas-objetos. “Merconda Viajora” (P096)
Técnica mista sobre painel. 30x05x30 cm(CxAxL)
Lu Paternostro


Merconda Viajora

ÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔ minha Merconda querida!

Seus cabelos de dedos, contam muito de você!

Sabemos que quer pegar o mundo com suas mãos mentais, mas estes dedos são curtos, não podem pegar nada que seja ou esteja muito mais além deles! Pelo menos é assim que pensa.

Por isso elabora fracassos, sonhos que desvanecem, e tudo gravita somente na sua mente ativa, a construtora de sua prisão perpétua.

Uma pena, pois confiou muito nos dedos, mesmo curtos! Mas não soube ver mais além.

Ela passa dias elaborando e pensando. Adora contar histórias dos objetos e de seus proprietários.

Um dia, se fixou num grupo de balões-ostras, pequenos, duros, e que voavam lentamente. Eram de um amigo distante. Cismou com eles e ficava ranhetando cada vez que os via.

Dizia a todos que se deparou com um bando de objetos estranhos e que eram mal-educados, que não a ouviam e que iam embora quando tentava dar seus inúmeros conselhos a eles. E iam mesmo, porque não gostavam de gente chata como ela. Faziam muito bem!

Mas, com o tempo, Merconda foi se acostumando que, cada vez mais, não mandava em nada, que tudo tem seu ritmo, sentido, vontade próprios e é assim que é. Tem de relaxar disso tudo!

E foi o que fez!

Seus cabelos cresceram, seus dedos mentais, antes curtos, foram indo muito mais longe e ela enfrenta todos os balões-ostras que aparecem, com sabedoria e fluidez.